{"id":2029,"date":"2026-01-14T12:30:00","date_gmt":"2026-01-14T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/climadepolitica.org\/?p=2029"},"modified":"2026-04-14T13:08:50","modified_gmt":"2026-04-14T16:08:50","slug":"ecos-da-cop-clima-esta-na-boca-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/2026\/01\/14\/ecos-da-cop-clima-esta-na-boca-do-povo\/","title":{"rendered":"Echoes from COP: Is climate change on everyone\u2019s lips? How do lawmakers view the growing public awareness of the climate agenda, and how can we move forward?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#37375e\" class=\"has-inline-color\">Como os parlamentares avaliam a populariza\u00e7\u00e3o da agenda de clima na popula\u00e7\u00e3o brasileira e como avan\u00e7ar nos pr\u00f3ximos anos?<\/mark><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Larissa Alem<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-b2e659ba wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Entre os dias 10 e 21 de novembro, Bel\u00e9m abrigou a 30\u00aa Confer\u00eancia das Partes sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a COP30, per\u00edodo em que foi a capital do Brasil. L\u00e1 estiveram presentes pessoas de todos os 195 pa\u00edses do mundo, incluindo chefes de Estado, ministros, diplomatas, parlamentares, representantes de povos ind\u00edgenas e comunidades quilombolas, integrantes de movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, pesquisadores, empres\u00e1rios, dentre tantas outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-b2e659ba wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Por l\u00e1, viu-se atividades de toda sorte, desde as reuni\u00f5es dos negociadores at\u00e9 a Marcha Global pelo Clima, passando pela barqueata ind\u00edgena, encontros de crian\u00e7as e jovens, palestras de especialistas, e di\u00e1logos bilaterais e multilaterais. Neste contexto, o Clima de Pol\u00edtica coordenou e apoiou diversas atividades com parlamentares, incluindo di\u00e1logos para trocas de experi\u00eancias e estrat\u00e9gias, eventos para compartilhar compromissos parlamentares com a agenda clim\u00e1tica e a entrega da carta dos parlamentares ao secretariado da ONU Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC, em ingl\u00eas) pela formaliza\u00e7\u00e3o de uma constituinte parlamentar &#8211; ou um espa\u00e7o formal para parlamentares no \u00e2mbito da UNFFCC. Mais detalhes podem ser encontrados no nosso <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/posts\/clima-de-politica_retrospectiva-clima-de-pol%C3%ADtica-na-cop30-activity-7402345659594579968-rUjF?utm_source=share&amp;utm_medium=member_desktop&amp;rcm=ACoAACvqsUMBa14TyeCifEiRLR19Sq_dxftZI2E\">Linkedin<\/a>).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Os parlamentares possuem um papel duplo e crucial para a transi\u00e7\u00e3o justa: a tradu\u00e7\u00e3o dos compromissos internacionalmente assumidos em pol\u00edticas p\u00fablicas nacionais e a fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento desses compromissos nas pol\u00edticas p\u00fablicas dos Executivos. Entre pavilh\u00f5es, bilaterais e salas de negocia\u00e7\u00e3o, nossa equipe dialogou com 15 parlamentares brasileiros dos tr\u00eas n\u00edveis de governo (federais, estaduais e municipais) para entender se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma pauta popularizada entre os brasileiros, se esse tema ainda sofre com desinforma\u00e7\u00e3o e not\u00edcias falsas, e se vamos falar de clima nas elei\u00e7\u00f5es de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--20)\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#37375e\" class=\"has-inline-color\"><strong>Primeira pergunta: <\/strong>de 1 a 5, o quanto voc\u00ea considera que a pauta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 popularizada na sociedade brasileira?<\/mark><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Dos 15 parlamentares entrevistados, 10 (ou 66%) acreditam que a pauta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 parcialmente popularizada na sociedade brasileira (pontua\u00e7\u00e3o: 3 de 5). A deputada estadual do Par\u00e1 e anfitri\u00e3 da COP30, L\u00edvia Duarte, diz que a populariza\u00e7\u00e3o da agenda n\u00e3o est\u00e1 dada: \u201c<em>H\u00e1 uma estrat\u00e9gia neoliberal de colocar clima em uma caixa. Ent\u00e3o, desabamento \u00e9 uma coisa, escola ruim que fica alagada \u00e9 uma coisa. E clima \u00e9 uma terceira coisa<\/em>.\u201d Para superarmos as limita\u00e7\u00f5es da narrativa, precisamos entender as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como uma pauta transversal, que cruza todas as outras pol\u00edticas p\u00fablicas. Olhando a partir da atua\u00e7\u00e3o nacional, o deputado federal Fernando Mineiro afirmou que ainda h\u00e1 uma baixa compreens\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com qu\u00e3o altos s\u00e3o os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: \u201cN\u00f3s temos um descompasso nessa quest\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">O que os parlamentares relatam \u00e9 uma lacuna entre reconhecer a crise clim\u00e1tica e correlacionar com outros temas que est\u00e3o no cotidiano das pessoas. \u201cA gente tem uma populariza\u00e7\u00e3o dos problemas que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o trazendo, em especial no que tange a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, de redu\u00e7\u00e3o de riscos, mas ainda sinto um espa\u00e7o de entendimento do quanto isso est\u00e1 ligado diretamente com outras quest\u00f5es desse ecossistema de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, como trato de res\u00edduos s\u00f3lidos, como modelo econ\u00f4mico e social que a gente vive, como compromissos de governo\u201d, relata Yuri Moura, deputado estadual do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Outro exemplo dessa desconex\u00e3o \u00e9 colocado pelo deputado federal Tarc\u00edsio Motta, no sentido de que a maior viv\u00eancia de desastres socioambientais gera uma reflex\u00e3o sobre a quest\u00e3o clim\u00e1tica, mas o debate precisa se aprofundar: \u201ctodo o debate sobre a quest\u00e3o do aquecimento global, sobre a necessidade de mudan\u00e7a nos rumos da economia, de um modelo de desenvolvimento que incorpore a quest\u00e3o clim\u00e1tica, ainda n\u00e3o \u00e9 algo incorporado pela pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Recentemente, uma pesquisa apontou que 9 a cada 10 brasileiros consideram que sofreram impactos das consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em suas vidas (Datafolha, 2023). Em dezembro de 2023, pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) indicou que mais de 90% dos brasileiros consideram grave ou grav\u00edssimo os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em suas vidas cotidianas. Em 2024, pesquisa da Genial\/Quaest identificou que 99% dos brasileiros acreditam que a trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul teve liga\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Indo ao encontro do que apontaram estas pesquisas, Juliana Cardoso, deputada federal, afirmou que \u201cAs pessoas come\u00e7am a perceber nos seus corpos essa crise clim\u00e1tica. E tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7ando a perceber na sua mesa. Porque a falta de algum alimento ou estarem caros os alimentos n\u00e3o \u00e9 simplesmente por conta da infla\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#37375e\" class=\"has-inline-color\"><strong>Segunda pergunta:<\/strong> 1 a 5, o quanto voc\u00ea considera que a desinforma\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas contribui negativamente para a populariza\u00e7\u00e3o do tema?<\/mark><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Dos 15 parlamentares entrevistados, 11 acreditam que a desinforma\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas contribui muito negativamente para a populariza\u00e7\u00e3o do tema (pontua\u00e7\u00e3o: 5 de 5). Deve-se considerar que o negacionismo n\u00e3o apenas prejudica o entendimento da agenda, mas tamb\u00e9m atrasa pol\u00edticas mais progressistas para uma pauta de extrema urg\u00eancia. \u201cInforma\u00e7\u00e3o \u00e9 poder. E tem poder quem tem informa\u00e7\u00e3o\u201d, descreve Maria do Carmo, deputada estadual do Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Neste ano, o relat\u00f3rio \u201cRisco Global 2025\u201d, do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, com base na experi\u00eancia de 900 especialistas, destacou que a falta de informa\u00e7\u00e3o e a desinforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o os maiores riscos que corremos nos pr\u00f3ximos dois anos, em todo o mundo. Com o advento das IAs, esse risco se elevou. Vale destacar que a desinforma\u00e7\u00e3o afeta qualquer pol\u00edtica p\u00fablica. \u201cA desinforma\u00e7\u00e3o contribui para que as pessoas n\u00e3o saibam o que realmente est\u00e1 acontecendo, colocando vidas em risco, ent\u00e3o \u00e9 muito grave\u201d, relata Eduardo Zanatta, vereador de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa. Uma das grandes lacunas para o enfrentamento da desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a n\u00e3o regulamenta\u00e7\u00e3o das redes sociais, afirma o deputado federal T\u00falio Gadelha: \u201cO negacionismo acontece de maneira \u00e0s vezes pensada, estrat\u00e9gica, no intuito de projetar algumas figuras pol\u00edticas. Isso interfere na pol\u00edtica e na pol\u00edtica p\u00fablica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">\u00c9 importante destacar, ainda, que a desinforma\u00e7\u00e3o se dissemina em um contexto de desigualdades. \u00c9 o que descreve a deputada federal Jack Rocha: \u201cO negacionismo clim\u00e1tico hoje tamb\u00e9m est\u00e1 muito voltado a setores que querem a concentra\u00e7\u00e3o das rendas. As pessoas que est\u00e3o dentro de iates de luxo negam as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, quando a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha sequer consegue ter um motor para seu barco ou at\u00e9 mesmo uma canoa, mais equipada para a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia.\u201d Nesse sentido, vale ressaltar que o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, no Ac\u00f3rd\u00e3o 1914 de 2025, afirma que \u201ca prote\u00e7\u00e3o das parcelas mais vulner\u00e1veis na gest\u00e3o de riscos tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social e direitos humanos.\u201d, apontando para a necessidade de termos, no Brasil, pol\u00edticas elaboradas a partir da compreens\u00e3o das vulnerabilidades destas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#37375e\" class=\"has-inline-color\"><strong>Terceira pergunta:<\/strong> Voc\u00ea acredita que a pauta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ser\u00e1 um dos principais temas das elei\u00e7\u00f5es para o Legislativo em 2026?<\/mark><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Dos 15 parlamentares entrevistados, 8 acreditam que sim, ser\u00e1 um dos principais temas das elei\u00e7\u00f5es de 2026, enquanto os demais pensam que n\u00e3o, t\u00eam d\u00favidas ou n\u00e3o ser\u00e1 priorit\u00e1ria. Apesar dos sentimentos divididos, os parlamentares tendem a concordar que precisamos pensar em narrativas melhores para contribuir com a populariza\u00e7\u00e3o deste tema. \u201cEu tenho uma expectativa muito grande de que a COP30 vai ter um efeito de mudan\u00e7a cultural por um bom tempo nesse debate de enfrentamento da crise clim\u00e1tica\u201d, diz o deputado federal Nilton Tatto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Pesquisa do Banco Europeu de Investimentos apresentou a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de 13 pa\u00edses latino-americanos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as respectivas expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas para o tema. No caso do Brasil, 78% da popula\u00e7\u00e3o apoia medidas rigorosas e investimentos em fontes renov\u00e1veis, e parte significativa (65%) j\u00e1 sente os efeitos na renda familiar. Os dados mostram grande aprova\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es governamentais mais rigorosas para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, indicando a disposi\u00e7\u00e3o social para aceitar mudan\u00e7as pol\u00edticas e de estilo de vida em prol da sustentabilidade ambiental a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">O deputado estadual Guilherme Cortez chamou a aten\u00e7\u00e3o para as pesquisas feitas por institui\u00e7\u00f5es, alertando que \u201centre reconhecer que o problema existe e entender a necessidade de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, tem um caminho e v\u00e1rios obst\u00e1culos\u201d. Apesar de desafiador, os parlamentares que estiveram na COP30 e que defendem a agenda clim\u00e1tica est\u00e3o engajados com a constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa que coloque o tema na centralidade das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Herbert Santos de Lima, vereador de S\u00e3o Louren\u00e7o, MG, tamb\u00e9m v\u00ea uma evolu\u00e7\u00e3o nos debates: \u201c\u00e9 um discurso que tem mudado muito de onde a gente est\u00e1 saindo da discuss\u00e3o do urso polar, da calota derretendo, para um n\u00edvel mais local sobre como isso est\u00e1 atingindo as pessoas no dia a dia. Estou falando aqui do dia a dia, de segunda a sexta, da pessoa que vai enfrentar a enchente, vai enfrentar a chuva, vai enfrentar o calor, vai enfrentar um inc\u00eandio florestal, a fuma\u00e7a na cara todos os dias e a vulnerabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#37375e\" class=\"has-inline-color\">Acabou a COP, E agora?<\/mark><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Os resultados indiretos de uma COP v\u00e3o muito al\u00e9m dos textos finais das decis\u00f5es clim\u00e1ticas. H\u00e1 de se reconhecer que a realiza\u00e7\u00e3o de uma COP no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia trouxe uma visibilidade sensorial e simb\u00f3lica para o tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Dilvanda Fato, deputada federal pelo Par\u00e1, destaca: \u201cAqui tem o reflorestamento produtivo, tem o reflorestamento do clima, da Amaz\u00f4nia. E a floresta ainda est\u00e1 em p\u00e9, ainda tem muita \u00e1gua. Ent\u00e3o eles [os participantes da COP30] est\u00e3o vendo isso. Fazer dentro do cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 uma coisa. Fazer, s\u00f3 discutir em sala de quatro paredes \u00e9 outra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">Para al\u00e9m dos espa\u00e7os de negocia\u00e7\u00f5es internacionais, cada pa\u00eds deve levar as reflex\u00f5es e demandas para seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Apesar das criticadas aus\u00eancias de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e Javier Milei , atual presidente da Argentina, o deputado federal Chico Alencar se mostrou otimista: \u201cO fato de ter delega\u00e7\u00f5es de 195 pa\u00edses vai fazer com que essa COP reverbere mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">A sociedade civil brasileira certamente soube aproveitar a confer\u00eancia, especialmente nos espa\u00e7os paralelos e descentralizados. Essa aten\u00e7\u00e3o deve continuar para que n\u00e3o se torne um tema passageiro e, sim, uma pauta cada vez mais familiar. A COP30 terminou e \u00e9 hora de seguirmos com o nosso papel como sociedade civil, de acompanhar a implementa\u00e7\u00e3o e contribuir com os debates com responsabilidade. E \u00e9 papel dos parlamentares, como representantes do povo e propositores de pol\u00edticas p\u00fablicas, dar seguimento a pol\u00edticas clim\u00e1ticas mais ambiciosas. Nas palavras de Ingrid Sater\u00e9 Maw\u00e9, vereadora de Florian\u00f3polis, SC: \u201cApesar de termos muitas leis ambientais, poucas s\u00e3o especificamente direcionadas \u00e0s quest\u00f5es clim\u00e1ticas. Precisamos revisar nossas leis e garantir que haja pessoas no Legislativo que compreendam a urg\u00eancia dessas quest\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:0;padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\">\u00c9 tempo de a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica parlamentar, mais do que nunca. Se 90% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sente os efeitos negativos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em suas vidas, estamos falando de pessoas que votaram em parlamentares de todos os espectros pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o respeitam as fronteiras dos pa\u00edses, estados, cidades, tampouco escolhem pessoas que votaram \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita. Elas afetam todas as pessoas, de forma desigual \u00e0quelas mais vulnerabilizadas por problemas como a falta de saneamento, de acesso \u00e0 \u00e1gua, a fome, a falta de habita\u00e7\u00e3o digna, entre outros. \u00c9 dever \u00e9tico e moral dos parlamentares brasileiros, como representantes do povo e propositores de pol\u00edticas p\u00fablicas, responderem ao anseio popular, de garantirem direitos fundamentais, incluindo o direito \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30)\"><em>Larissa Alem \u00e9 coordenadora de pesquisa no Instituto Clima de Pol\u00edtica (CdP), com especialidade em pol\u00edticas p\u00fablicas para redu\u00e7\u00e3o dos riscos de desastres, bacharel em direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e mestre em Gest\u00e3o Ambiental pela Universidade de Kyoto (KU).&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como os parlamentares avaliam a populariza\u00e7\u00e3o da agenda de clima na popula\u00e7\u00e3o brasileira e como avan\u00e7ar nos pr\u00f3ximos anos? Por Larissa Alem Entre os dias 10 e 21 de novembro, Bel\u00e9m abrigou a 30\u00aa Confer\u00eancia das Partes sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a COP30, per\u00edodo em que foi a capital do Brasil. L\u00e1 estiveram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":271881380,"featured_media":2032,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1392,1404],"tags":[1400],"class_list":["post-2029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-pesquisa","tag-pesquisa"],"acf":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/climadepolitica.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_3780-1.jpg?fit=3024%2C4032&ssl=1","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pgQdOc-wJ","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/271881380"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2029"}],"version-history":[{"count":27,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2160,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2029\/revisions\/2160"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2032"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/climadepolitica.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}